Acabou, a doença curou.
Enfim a vida retoma seu estado natural, você não exerce mais nenhuma força sobre mim. Aquele sentimento que me prendia a você foi aos poucos se misturando à dor de ter sempre me ferindo, à distância que sem que notássemos aumentou, não a distância geográfica, não a física, mas àquela que quase telepaticamente nos unia.
O amor primeiro foi se transformando em saudade, depois em recordações (daquilo que fomos e do que não fomos), agora ele é um amontoado de mágoa, ressentimento, desprezo e indiferença.
Hoje sou livre de qualquer coisa que me remeta à tua memória, apenas algumas coisas que inevitavelmente, mas que provisoriamente ainda me façam lembrar.
Nunca pensei sinceramente que esse dia chegaria, achei que esse sentimento fosse eterno, forte e inabalável, mas você com a sua intransigência, seu egoísmo, sarcasmo e impulsividade me provou que nada é eterno, nada é para sempre.
Saio da tua vida da mesma forma que entrei, dessa vez pra sempre. Dessa vez respiro o ar puro que existia antes de você entrar na minha vida.