Wednesday 23 December 2009

!

Quisera que meus sentimentos fossem que nem livros, assim, eu os embalaria e te mandaria de presente. Talvez você, soubesse melhor o que fazer deles.

Monday 21 December 2009

Na ponta dos dedos

Meus dedos digitam cuidadosamente no teclado como se tivesse medo do que escreve e do que deseja. Talvez da mesma forma em que meus dedos desejam percorrer o contorno dos teus lábios, mas não da forma que anseia explorar os caminhos do teu corpo...

As letras não saem, mas o desejo das palavras aumentam gradativamente, assim como o desejo do corpo aumenta cada vez que lembro e visualizo o ato idealizado.

Escrevo enquanto beijo sua boca e seguro em teus cabelos para que a tua boca não me escape; enquanto arranco as tuas roupas e seguro seu corpo quente; enquanto a minha boca percorre cada pedaço da tua geografia decorada e inexplorada;

A página continua em branco, o back space me trai a cada vez que meu desejo se traduz em palavras.

Tuesday 8 December 2009

Cinza

De repente o mundo inteiro ficou em tom cinza como se anunciasse uma tempestade a qualquer momento. A chuva não vem e o dia prossegue suspenso. Nesses dias, até respirar causa medo.

Meu dia discorre numa cadência horrível. Meus movimentos mecânicos como se predentinados a isso, meus olhos não enxergam nada além do anseio de rolar pela janela a fim de alguma vida, alguma coisa espetacular me tire desse cotidiano em preto e branco.

A pilha de papel na minha frente não diminui no avançar das horas, minha claustrofobia faz a minha respiração ficar cada vez mais difícil, me sinto como se um elefante estivesse sentado em meus pulmões.Minha necessidade pela janela, pelo vento 'rajante' é quase vital. As horas não passam, tudo se arrasta e eu me arrasto junto com esse grande nada

O cinza da janela me consome, meus olhos se perdem no branco do dia e de repente me sinto leve,se possível fosse, até voaria. O vento beija meu rosto, desperta a alma e desacelera o coração.

Monday 7 December 2009

Black out

"Preciso que meu telescópio pesque a mais remota onda perdida em minha própria escuridão emocional".

Nando Reis

Friday 4 December 2009

A solidão só é boa e bonita quando traduzida em palavras, do contrário, esmaga, corrói, mói, dói.

Thursday 3 December 2009

Caminho livre

- Você não presta!

Ela berrou no alto da escada enquanto ele descia às pressas os degraus atrapalhado com a manga da camisa que tentava vestir.

Ele deu uma última olhada, e ela abriu um sorriso como só fazia nos momentos de plena felicidade. Ele reconheceu aquele sorriso de um tempo remoto.

Aquela era uma porta aberta, um sinal. Sinal verde.

Ele voltaria...

Tuesday 1 December 2009

Quid pro quo

Eu te amo pela tua diferença e pela tua indiferença perante esse mundo de idéias iguais e pessoas idênticas;

Eu te amo pela força que tu mostras e pela fraqueza que escondes;

Eu te amo pela tua profundidade, pela intensidade com que tu te revelas;

Eu te amo pela tua urgência. A de viver, a de amar, a de correr, a de perder só pra se achar;

Eu te amo pelo querer dar e pelo querer para si;

Eu te amo pela diferença que nos torna iguais; Te amo pela permissão de chorar, pela forma violenta de amar e pela forma branda de cuidar;

Te amo pela distância que nos separa e pelo elo que nos une;

Eu te amo pela dor e por causa do amor. Te amo com dor, ardor, sem nenhum pudor;

Te amo pelo que não foi consumado e por tudo o que foi consumido;

Te amo pelo céu e inferno que teu amor proporciona;

Te amo pela forma disforme com que te mostras;

Te amo pelo teu sim que comove e pelo não que dificilmente convence;

Te amo por não ter rédea, pela selvageria, pelo repúdio ao dominio;

Te amo pelo rumo que perdi, pelo chão que não tenho, pelo céu infinito.

Te amo sem rumo, sem destino, sem prumo nem eixo;

Contigo, a bússola enlouquece, o vento perde a direção e por sua inconstância tão constante é que me prende e me faz enlouquecidamente te amar.

Sunday 29 November 2009

"Se diferente fosse, será que eu teria sido amado por você?"

Thursday 26 November 2009

Memória

Quando o passado nos assalta, rouba a calma, a alma, o brilho.

Quando o passado nos invade, rasga o peito e abre feridas estancadas pelo tempo.

Quando o passado insiste em se fazer presente, nos faz querer reviver tudo o que outrora foi feliz.

Quando o passado foi triste, trazer pra si só faz sofrer duas vezes mais.

Quando o passado te joga na cara os teus erros, percebe-se o quanto queria voltar ao tempo da inocência.

O passado dilacera a paz que fingia ter, atrapalha o sono que a ilusão trazia, incomoda quem vivia à sombra do que um dia foi.

O passado é uma vasta ferida.

E dói.

Friday 13 November 2009

Um Ponto

Me assombro sempre que vejo meu coração traduzido para o latejar de letras que em minha boca não cabem e meus olhos não decifram.

Se meus olhos não decifram, o ouvido tenta distinguir entre os versos que se vão viajando pela música de outros idiomas, enquanto ouço, imagino.

Distingo bem claramente na boca de seus fonemas, a eterna beleza humana do sonho que move o mundo, do amor que acende as estrelas.



Leio textos que escrevi num tempo remoto e pareço um defunto que faz ponderações. Não existo mais nessas linhas.

Sunday 1 November 2009

Cuide do que é seu...


... porque tudo o que é importante na nossa vida é frágil assim, bonito assim e simples assim.
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.
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Está nas suas mãos.

Thursday 29 October 2009

Das teimosias

Deveria ser assim. Não importa mais quem errou, a gente não é perfeito e nunca foi, no fundo as nossas imperfeições sempre foram as nossas prisões. A tua impulsividade por exemplo, sempre me prejudicou, mas é o que sempre me fascinou, é o que me prendeu um dia e prende até hoje, as vezes acho que esse tipo de prisão é o que eu quero para sempre.

Não deveria ser essa queda de braços por atenção, por quem errou menos, porque acabou o assunto, porque a gente se tornou desinteressante, porque agora a gente ficou mais velho, mais chato, mais exigente, mais longe inclusive.

Na verdade estamos carentes, estamos esperando surpresas, sempre na expectativa e o muro que nos separa aumenta a cada dia, a teimosia e o egoísmo cresce.

Nossos caminhos são diferentes, nosso querer impaciente nos leva ao mesmo lugar e também a lugar nenhum, porque enquanto perdemos tempo demais lamentando pelo que não foi, relembrando o que foi, o porvir acaba não vindo, o futuro fica vazio, e aquele nosso querer que no fundo sempre foi o mesmo, acaba em segundo plano como se ele fosse só um acessório e não o essencial daquilo que nos torna um.

Friday 9 October 2009

Never gonna be alone

Time, is going by
So much faster than I
And I'm starting to regret not spending all of it with you
Now I'm wondering why, I've kept this bottled inside
So I'm starting to regret not telling all of it to you
So if I haven't yet I've gotta let you know

You're never gonna be alone
From this moment on
If you ever feel like letting go
I won't let you fall
You're never gonna be alone
I'll hold you 'till the hurt is gone

And now as long as I can
I'm holding on with both hands
Cause forever I believe
That there's nothing I could need but you
So if I haven't yet,
I've gotta let you know

You're never gonna be alone
From this moment on
If you ever feel like letting go
I won't let you fall
When all I hope is gone
I know that you can carry on
We're gonna see the world on
I'll hold you till the hurt is gone

You've gotta live every single day
Like it's the only one
What if tomorrow never comes?
Don't let it slip away,
could be our only one
You know it's only just begun
Every single day, may be our only one
What if tomorrow never comes?
Tomorrow never comes

Time, is going by
So much faster than
IAnd I'm starting to regret not telling all of this to you

You're never gonna be alone
From this moment on
If you ever feel like letting go
I won't let you fall
When all I hope is gone
I know that you can carry on
We're gonna take the world on
I'll hold you till the hurt is gone

I'm gonna be there all of the way
I won't be missing one more day
I'm gonna be there all of the way
I won't be missing one more day


Nickelback

Monday 28 September 2009

Baixa imunidade

Doente, permaneço assim já não sei há quanto tempo nem o que me resta. Sinto dor e me acostumei com ela, de modo que ela não se tornou minha companheira, mas uma rotina.



Meu coração é só uma úlcera incurável, aberta e sangrando.



Tanto amor e tanto sentimento me tornaram numa espécie de diabético emocionalmente, não há nenhuma cura pra mim, só tratamento initerrupto

Wednesday 23 September 2009

Difícil

Ninguém me disse que seria fácil, mas eu não imaginei que fosse tão difícil.

Tuesday 22 September 2009

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A sensação de cansaço provém de nunca sabermos onde atracar. A busca é sempre a mesma... Um porto seguro! um lugar para ver o sol nascer. Uma tarde silenciosa a cair na calçada e essa urgência de viver.

Friday 18 September 2009

Foco


- Mantenha o foco - Ela me disse pela manhã antes de nos despedirmos.
- Então, tudo é uma questão de foco? - perguntei já sabendo a resposta.
- A partir do momento que você tem um foco, você automaticamente cria um caminho para conseguir seu objetivo. Prioriza cada ponto e persegue rumo o alvo. O importante é não perder a direção.
Agora vejo meu caminho mais claramente, é como se meu foco mudasse também meu campo de visão.
Eu sigo a trilha que marquei, as coordenadas que defini, tudo para chegar mais rápido ao meu objetivo.
Persigo focado no meu alvo. Sou insistente, persistente. Não desisto fácil, nem me deixo abater.
Persigo e alcanço, não importa o tempo.
Notas de rodapé de uma conversa sem intenções.

Wednesday 16 September 2009

Memória injusta

Acho que aquela conversa entre 'Papai e Mack' sobre passado tenha me impressionado mais que o normal. O fato é que fazer do passado um simples passeio é bem melhor do que uma longa estada por lá. O problema é sair da teoria e encarar a praticidade da coisa, porque se desprender de algo importante que se viveu é como rasgar seus documentos e querer viver uma nova vida.

Me parece doloroso viver sem passado, e sem reviver alguns momentos. Na verdade, não tem como se arrancar a memória de alguém, muito embora desejassemos ardentemente isso inúmeras vezes, tem como deixar todas as recordações bem escondidinhas no fundo da última gaveta que a gente nunca mexe. Ainda assim dói, porque inevitavelmente a gente vai se pegar olhando 'cobiçosamente' para a gaveta.

A vida porém, teima em me abrir portas e janelas. Eu agarro a cada boa oportunidade como se fosse a última chance de ser feliz, e de quem sabe me livrar do passado tão presente na memória e no corpo. As pessoas são atraentes e eu me disponho. Tenho boa vontade, sorrio de volta, mas logo me pego fazendo comparações, constatando que a pessoa não está no mesmo pé de entendimento que eu, não entende minhas palavras, não sacam minhas piadas [mesmo as idiotas], não percebem o tom de ironia e sarcasmo. Perco o interesse e já não me importa mais nada.

A pessoa cansa e vai embora, enquanto eu rumino lamentando mais uma chance perdida, me cobrando mais paciência, mais tato e implorando pra que eu não espere que ninguém seja igual a ninguém, o que seria um alento as pessoas serem diferentes, pra mim é um tormento.

O cansaço me abate. Já não vejo graça nas coisas, me agarro ao que me resta de prazer. Algumas músicas no fone de ouvido enquanto faço minhas caminhadas, um bom livro como companhia e alguns momentos de loucura, quando me permito conversar com as paredes num idioma que só nós reconhecemos.

Tuesday 15 September 2009

Tola át shani

Vermelho é a cor da paixão
Cor viva, forte, que vibra, pulsa, esquenta
Cor da morte, do sangue, das artérias do coração
Quando falamos de amor, no vermelho se pensa.

Vermelho é a cor do coração no desenho da criança
Cor da rosa dos casais apaixonados
Cor da ferida no corpo dos machucados
Cor dos joelhos pagantes de promessas renovando esperança.

Vermelho é a cor da dor
Cor da paixão
Cor do amor.

Cor do lábio, do desejo, do encanto
Cor dos olhos que derramam seu pranto
Cor do medo, da vergonha, do engano.

A partilha

No começo do amor, dois viram um. Tudo é compartilhado, dividido, participado, mas quando acaba o namoro/casamento, quando o relacionamento desce pelo ralo da rotina, escorre entre os dedos do ciúme, passa pela peneira da infidelidade e o que era um sofre a meiose conjugal voltando a ser dois.

É hora de contar as feridas, esconder as cicatrizes, é hora de juntar os cacos e esquecer de todos os momentos, felizes ou não- pelo menos enquanto a dor não cessa. Começa então a hora da partilha, a hora em todos pegam seus pertences, nada escapa à divisão: fotos, objetos, cartas, e-mails, e tudo o que antes ajudava a contar a história de amor do casal vira objeto de barganha e concessões.

Após discussões e intermináveis negociações, sai cada um para seu lado com os braços abarrotados de pertences e restos do que foi um dia. A partilha no entanto não lhes arranca e nem se devolve o mais importante que são as coisas que se sente, aquelas que não foram compradas e nem criadas pelas mãos de ninguém.

A partilha não devolve corações cheios de amor, planos e sonhos construídos dia após dia com esmero de um artesão habilidoso. Não, a partilha não atinge sentimentos e nem as memórias que se tem de tudo, essa é a parte inerente a qualquer que seja o motivo do rompimento.

O motivo do término tem peso relevante nessas memórias sim, mas apenas enquanto eles continuarem vivos dentro deles, no entanto o mais sábio de todos - o tempo, logo se encarrega de minimizar os efeitos e aquilo que hoje dói, machuca e destrói toda imagem feita, amanhã se tornará menos intensa ate virar uma cicatriz - claro que nada é esquecido, mas não derá com tanta intensidade, mas sem a dor intensa apertando, os bons momentos virarão lembranças, doces recordações de como foram felizes um dia.

A partilha é a solução prática sobre o que é externo, enquanto isso, dentro de nós tudo continua arrumadinho do jeito que deixamos, é dentro da gente que tudo permanece indivisível e pulsando como sempre. É quando nada separa porque não foram feitos pela mão de homem, é quando nada separa.

04/02/09

Sol e lua

Sim somos como a lua e o sol. Dois astros.

Duas grandezas.Enquanto um dorme o outro vive seu dia, sua rotina, mas diariamente ocupam simultaneamente o mesmo céu, como um eclipse diário. Somos diretamente proporcionais, mas também inversamente muitas vezes.

Como a lua ela possui muitas fases. Mingua e nada adianta, nenhum motivo é suficientemente forte para fazê-la sorrir e se mostrar. Se tranca em si, como se o mundo externo lhe causasse muito mal, porém se faz nascente quando porventura alguns de seus desejos são atendidos, renasce quando fazemos vir a tona momentos que outrora a faziam brilhar.

Quando sua fase se assemelha à nova, me causa encantamento, o mesmo efeito que a lua me traz quando eu me ponho a admirá-la enamorado, e também é sob o efeito da paixão que ela me mantém preso até a fase cheia, lotada, transbordante de tesão, que é quando me leva a loucura e me faz pensar e querer tomá-la pra mim com a sede de quem não bebe há séculos, mas tal encantamento é ligeiro e logo mingua e me joga na escuridão...

Como o Sol, sou 8 ou 80. Se estou forte brilho, se fraco me escondo. Não sei ser diferente, não há como camuflar minhas emoções. Eu sou ou não sou, fico ou não fico e se alguma coisa me preocupa ou me deixa fora do eixo, me escondo sobre as nuvens e de longe observo tudo o que acontece. Só sei ser assim.

Queimo quando brilho, mas queimo muito mais quando por trás do esconderijo te observo. Como sol e lua, esperamos pelo eclipse total, fundidos um no outro. Mesmo com todas as fases a lua encanta e se faz marcante, tal como o sol, um precisa do outro a fim de manterem o universo de suas vidas em equilíbrio.

Em harmonia? nem sempre...

Mas os dois brilham.

20/11/08

Sunday 13 September 2009

Sonhos

Essa noite sonhei contigo. Um sonho incomum, diferente daqueles que eu tinha. Acordei chorando, assim como você me disse dias atrás que havia acordado.

Sonhei que você estava aqui e eu te acordava com uma proposta, que você aceitou logo. Seu rosto não era como nos outros sonhos, havia nos seus olhos de gota um mistério que eu não sabia decifrar, seu corpo estava fraco, sua cor pálida, parecia doente, mas não estava, você dizia que era só minha ausência te apagando como se fosse uma fotografia exposta ao tempo.

Não sei o que esse sonho quer dizer, mas tenho lido e pensado muito no que Freud diz a respeito dos sonhos, e tenho uma teoria formulada, seria quase pretensão minha expor aqui, tu irias rir e eu não iria me importar porque adoro quando sorri, mas minha 'interpretação' tiraria provavelmente, a chance de você refletir sobre ele, talvez,com um pouco de sorte, chegariamos à mesma conclusão.

Acordar desse sonho não foi fácil, seu perfume ficou gravado no meu quarto toda a manhã, e eu nem sei qual é o teu perfume agora, mas tenho certeza de que ele estava em mim. Seu rosto ficou na minha memória durante todo o dia e agora sentado nessa mesma cadeira, ouço as mesmas músicas que ouvíamos, uma tentativa desesperada de te trazer, de reviver o tudo (e o nada) contigo, rir das mesmas piadas, rir das coisas que não tinham a menor graça, rir de mim por parecer uma criança perto de ti, rir de toda a dor que eu conhecia antes e depois de você. Me apego a cada pequenina coisa que eu tinha contigo, até dos maus momentos, deles eu tinha certeza que passariam e o mais importante ficaria, você. Mas tudo o que me resta é um imenso nada e uma bela porcaria de um amor que insiste em arder, em querer e esperar.

Nesse momento, toca The Scientist - Coldplay... meu pensamento voa longe, longe, longe...você lembra?


Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

Monday 7 September 2009

Perfect memory

As they lowered you down my heart just jaded

In that moment the earth made no sound

But you were there

You helped me lift my pain into the air



[Perfect memory - Remy Zero]



"Qualquer coisa que eu recorde agora, vai doer, a memória é uma vasta ferida."



[Chico Buarque em leite derramado]

Thursday 3 September 2009

Tudo sobre você

Queria descobrir
Em 24hs tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir

E num fim de semana
Tudo que você mais ama

E no prazo de um mês
Tudo que você já fez

É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você

E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor

Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer

Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você

Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria


Zelia Duncan

Só vontade

Me disseram que isso não significa necessariamente que irá acontecer alguma coisa, mas que eu desejo tanto que aconteça, que acabo sentindo. O que é uma pena, queria que as coisas me sacudissem, que tudo ficasse fora de ordem, talvez só assim pra me trazer de volta o que eu era.

Wednesday 2 September 2009

Expectativa

Abriu os olhos num sobressalto, sentia que alguma coisa iria acontecer naquele dia. Qualquer coisa.


O dia passou e seu coração num tique taque desenfreado chegava doer quando alguma coisa parecia estar prestes a acontecer. Mas o que iria acontecer? Era o que se perguntava, porém à medida que o dia ia avançando nas horas, não encontrava nenhuma resposta para tanta expectativa. Sentia, de alguma forma estranha que aquele dia era especial, diferente e que de fato, iria acontecer alguma coisa absurdamente boa.


As primeiras estrelas começavam a pontilhar o céu e aquela sensação persistia. Já estava perdendo as esperanças de que algo iria lhe acontecer. Durante todo o dia fizera plantão ao lado do telefone, de meia em meia hora checava todos os seus e-mails, olhava a caixa do correio regularmente.


Cansado de esperar por alguma coisa que ele só sentia que iria acontecer, mas que não tinha - até então - mostrado indícios positivos. Arrumou -se como todo dia e saiu. As batidas do coração aumentavam, a ansiedade invadia ainda mais. Olhava para todos os rostos, buscava uma explicação em cada coisa que via, em cada sorriso.

O coração, como se fosse um radar aumentava ou diminuia sua frequência, como naquelas brincadeiras de quente e frio. Em alguns momentos, aquela bomba relógio parecia explodir, saltar-lhe do peito e sair tiquetaqueando pelas ruas.

Voltou pra casa assim como saiu, nada aconteceu, nenhuma novidade, nenhuma surpresa. O coração continuava lhe dizendo que estava prestes a acontecer alguma coisa. Olhou novamente suas contas de e-mail, na secretária eletrônica nenhum recado, no celular nenhuma chamada.

Coração burro como sempre, emite sinais errados, escuta o que não deve e para quando é pra correr. Deveria ter se acostumado.

Sunday 30 August 2009

In my place

Eu estou sempre aqui tentando viver e vem você com seu jeito de quem quer muito dizer, como quem tem muito a falar. Quer falar, porém espera que eu deseje isso. Meu silêncio te incomoda mais do que deveria.Aí você ataca. Não me doi mais, suas lanças precisam ser afiadas

Thursday 27 August 2009

D-e- j-a- V-u

Essa coisa dá medo... e a gente as vezes se pega querendo viver tudo de novo!

Friday 21 August 2009

Na sua estante

Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante

Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não securam
E essa abstinência uma hora vai passar...


Pitty

Monday 17 August 2009

Esqueça

Esqueça tudo o que te disse, não se prenda às minhas palavras, não as últimas. Aquelas lá de antes, do começo, nelas acredite em todas.

Eu hoje sou só um amontoado de sentimentos.


Esqueça tudo o que te cortou, hoje sou o fogo abrasador que te cicatriza, confie no que eu te disser hoje, em tudo, se alguma coisa te interessar pegue pra ti, é teu. Tudo teu, inclusive eu.

Tuesday 11 August 2009

Suspenso

Volta pra mim? - Pergunta feita quase sem pensar. Aquelas coisas que sem notar saem pela nossa boca e nos deixa suspensos até que seja dada uma resposta. Qualquer uma.

O silêncio não durou, o cursor piscou, do outro lado a resposta veio, não a esperada, nem a que queria ter dado. O silêncio que durou talvez meio minuto pareceu uma eternidade, nele coube todo o passado, aquele que trouxe tudo de bom e tudo de mau. Naquele breve espaço de tempo, seus últimos dois anos passaram como flashes, parecia mais um trailler da história cujo fim ainda não foi escrito, no entanto quase é possível de se imaginar, como naqueles romances clássicos e bem previsíveis. Todas as sensações afloradas, um misto de dor, saudade, amor, ódio e rancor. Um coquetel forte, denso e intenso, quase letal. Anestesiou o corpo, entorpeceu a alma. As lembranças que outrora pareciam remotas, ressurgiram com força avassaladora. Sentiu vontade de correr, de sair do corpo, de esquecer.

O corpo anestesiado, alma entorpecida e mente presa ao passado, indo e vindo initerruptamente, parecia uma dor, uma enxaqueca que apertava-lhe as temporas com memórias dolorosas, espremia-lhe os olhos fazendo brotar lágrimas com todas as boas recordações, mas no coração, o regente de toda emoção, a tristeza e os ferimentos causados pelas palavras do tamanho de pedregulhos ainda sangravam impedindo qualquer regozijo ou sorriso pelas memórias doces. O amargo insistia em visitar. Era só nisso que pensava.

O minuto passou, o corpo inerte se mexeu, a pergunta respondida ainda latejava. Era preciso escolher o caminho, haviam dois, o longo e o curto. Não soube qual seguir, deixou tudo pela metade e disse que o assunto não estava encerrado. Correu, fugiu dos próprios sentimentos, camuflou com todas as suas forças aquilo que estava prestes a saltar-lhe pelos poros, pelos olhos, pela boca. Correu, Fugiu dele mesmo.

O tempo ainda suspenso diz que ainda estamos longe do fim. Sem vento, sem sol, nem chuva. Espero.

Era preciso entender a pergunta, disso sabia, porém escolheu a que melhor lhe convinha, a melhor definição. Tudo agora é turvo, escuro e disforme. Quem sabe um dia tudo se esclareça e o ar volte a circular, tão importante quanto o sangue nas veias. Enquanto isso o cursor pisca.


O jogo não acabou.

Tuesday 4 August 2009

Head over feet

I had no choice but to hear you
You stated your case time and again
I thought about it
You treat me like I'm a princess
I'm not used to liking that
You ask how my day was

You've already won me over in spite of me
Don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your faults

Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
That's not lip service

You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience

You're the best listener that I've ever met
You're my best friend
Best friend with benefitsWhat took me so long

I've never felt this healthy before
I've never wanted something rational
I am aware now

I am aware now


(Alanis Morissette)

Monday 3 August 2009

Sorry

Hoje quebrei várias promessas que me fiz. Por muitas noites me debati, briguei comigo mesmo por não me permitir sentir sua falta. Tinha dias que me dava vontade de sair de casa sem rumo te procurando, querendo te ver, te tocar.

Era uma época de muita dor, muita saudade, época em que aquele sentimento gritava muito alto e eu, surdo, ignorava, isso me matava. Decidi que pra te tirar de mim, era preciso algo que me fizesse sentir raiva, e cada vez que pensava em ti, lembrava dos maus momentos, lembrava das coisas que você dizia, da tua asperesa, então o que era bom ficava ruim e eu seguia em frente. Simples assim, eu não precisava te encontrar.

Hoje era um dia perfeito pra te dizer tantas coisas, no entanto meu silêncio te subiu à cabeça e começou o seu ataque barato, eu não tinha como não me defender, e mesmo sabendo que você falava coisas somente para me atingir, decidi fazer o mesmo, mas eu não estou acostumado a ser assim, não gosto de te magoar, perdi uma excelente oportunidade de ficar quieto, você logo se cansaria e pronto. Mas eu e minha boca não se aguentam!

Dizem que é no calor das coisas que falamos as verdades, pode ser que sim, mas no caso de hoje, tudo doeu mais em mim do que em ti,

sorry.

Sunday 2 August 2009

Enjoy the silence

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can´t you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spokenTo be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words sre meaningless
And forgettable

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
can only do harm

Enjoy the silence


[Keane]

Tuesday 28 July 2009

Maldito o coração, sempre contrário à razão.

Gosta de quem não deveria gostar.

Pensa em quem não deveria pensar.

Sente sem querer sentir

Sunday 26 July 2009

Detalhes

Detalhes tão pequenos
De nós dois
São coisas muito grandes
Prá esquecer

A noite envolvida
No silêncio do seu quarto
Antes de dormir você procura
O meu retrato

Eu sei que um outro
Deve estar falando
Ao seu ouvido
Palavras de amor
Como eu falei

Pensando ter amor
Nesse momento
Desesperada você
Tenta até o fim

Se alguém tocar
Seu corpo como eu
Não diga nada
Não vá dizer
Meu nome sem querer
À pessoa errada...

Mas eu duvido!
Duvido que ele tenha
Tanto amor
E nessa hora você vai
Lembrar de mim...

Eu sei que esses detalhes
Vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma
Todo amor em quase nada
Mas "quase"
Também é mais um detalhe
Um grande amor
Não vai morrer assim
Por isso
De vez em quando você vai
Vai lembrar de mim...


Roberto Carlos.



*Estrofes fora de ordem*

Friday 24 July 2009

Broken heart

Eu costumava dizer pra mim, 'plagiando o compositor de 50 receitas': - queria manter cada corte em carne viva e a dor em eterna exposição. Pensei que assim, esvaziando-me da dor ela fosse embora, mas não... ela não vai embora porque nós não deixamos que vá, gostamos de ficar ali ruminando, chorando e sentindo a dor lancinante que não passa de uma autossabotagem...

O ideal (nem que seja na teoria) seria decidir dar um fim nisso, e não, não é defesa, é amor próprio. Ninguém gosta de sentir dor, nem poética e nem patológica, queremos logo o remédio, a cura e pra isso, nada mais que lutar contra os sentimentos, viver, virar a página, enxergar a vida com outros olhos, sob outro prisma, nova ótica e rir das nossas burradas passionais, não há nada mais ridículo (quando passa, a gente fica até com vergonha de tanta lágrima derramada).

Um dia mais que de repente descobrimos que a dor não existe e estamos enfim prontos pra sofrer tudo de novo, de pobres românticos e emocionais que somos. Aí é aprender com o passado e repassar para o futuro...

Thursday 23 July 2009

A friend

You just call out my name
and you know wherever I am
I'll come running to see you again
winter spring summer or fall
all you have to do is call
and i'll be there
you've got a friend

Tuesday 21 July 2009

Freedom

Acabou, a doença curou.

Enfim a vida retoma seu estado natural, você não exerce mais nenhuma força sobre mim. Aquele sentimento que me prendia a você foi aos poucos se misturando à dor de ter sempre me ferindo, à distância que sem que notássemos aumentou, não a distância geográfica, não a física, mas àquela que quase telepaticamente nos unia.

O amor primeiro foi se transformando em saudade, depois em recordações (daquilo que fomos e do que não fomos), agora ele é um amontoado de mágoa, ressentimento, desprezo e indiferença.

Hoje sou livre de qualquer coisa que me remeta à tua memória, apenas algumas coisas que inevitavelmente, mas que provisoriamente ainda me façam lembrar.

Nunca pensei sinceramente que esse dia chegaria, achei que esse sentimento fosse eterno, forte e inabalável, mas você com a sua intransigência, seu egoísmo, sarcasmo e impulsividade me provou que nada é eterno, nada é para sempre.

Saio da tua vida da mesma forma que entrei, dessa vez pra sempre. Dessa vez respiro o ar puro que existia antes de você entrar na minha vida.

Thursday 16 July 2009

Só sinto

Sinto saudades de você.

Não sei do que mais sinto falta, se da tua presença ausente ou da ausência de não ter seu cheiro e de não conhecer teu gosto.

Eu só sei que sinto.

Sinto tudo de foma amplificada, como se eu elevasse ao zoom máximo a tua presença na minha vida e agora, sem imagem, sem som, tudo é cinza e desfocado.

Só sei que dói.

Wednesday 15 July 2009

Só!

Só.

Saudade.

Só sinto saudade.

Saudade só sei sentir.

Sozinho sinto só saudade.

Só.

Sei.

Sentir.

Saudade.

Sinto.

Sozinho.

Saudade.

Só.

Sozinho.

saudade.

Sei.

Sentir.

Friday 10 July 2009

loose words

Não me reconheço mais, nem nas minha linhas consigo me ver.

Olho sim o que foi antes. Não sei o que fez, qual motivo para que eu me tornasse o que sou hoje. Talvez faltasse a pureza de um abraço. Pode ser também a ausência de um beijo sem maiores intenções. Um beijo sem motivo aparente.

De repente as mãos se afastaram, os sorrrisos se fecharam, as palvras se calaram e tudo o que restou foi um olhar perdido no horizonte.

Não reconheço mais nada.

Com os pensamentos voltados para qualquer lugar no passado, tento insistentemente trazer à tona aquela pessoa que fui um dia.

Se eu pudesse apagar tudo de errado que fiz, pra quem sabe assim ajudaria a ser uma pessoa melhor, mas se não há crescimento diante do aprendizado pelos próprios erros, então acredito que o processo de reconhecimento faz parte da vida e do meu crescimento.


(Sep/07)

Thursday 9 July 2009

All the things you said

Tanta coisa se encaixa, tanta coisa escondida por tanto tempo vem a tona exatamente no momento em que decido viver a minha vida. Quando enfim me convenço que somos dois, não mais um.

Essa noite foi longa, ouvir tua voz foi meu alento e tormento. A vontade de entrar pelo fio e falar-te olhando nos olhos se confundia com o desejo de nunca mais falar contigo. Tu, há tempos transformou minha alegria em dor.

Todas as coisas que você me disse me machucaram, suas palavras sempre serão lanças, mesmo as doces. Tantos dias esperando ouvir tua voz, longas semanas de espera e quando veio, veio em meio a lágrimas, em meio à dor e uma sensação de torpeza. Tudo de repente passou em flashes, momentos que compunham nossa história pareciam slides.

Amar você não é mais uma condição, é rendição. Não sei andar sem esse amor. Você me acusa de amar o amor e não a ti, diz que reclamo que você me cobra, me torna infeliz. Você definitivamente não entende de amor. Hoje eu sei que não entende.

Tanto fiz, tanto falei, praticamente larguei dois anos da minha vida, em função de um sentimento real e crescente, sentimento que exalava pelos poros e transbordava pelos meus olhos. Todas as coisas foram sinceras. Falo por mim. Tudo foi verdadeiro, real e intenso. Exageradamente urgente, te dei o melhor, o maior e o perfeito. Nunca fui pela metade, nunca te prometi o que não podia cumprir, se as coisas sairam erradas não foi por falta de querer que desses certo, foi porque o acaso, o destino não quis.

Você me acusa e me cobra, mas não ve, não crê, não enxerga que eu te amei pelo que você é, pelo que se mostrou. Eu sempre soube reconhecer tua real face, sempre vi aquela a quem você sempre quis camuflar. Comigo você ficava nua, sem máscaras era você mesma. Ninguém nunca te deixou livre, ninguém nunca olhou pra ti de fato e você sabe e reconhece isso. Comigo você é, não precisa parecer.

Eu amo a tua essencia, cada pedacinho dos teus defeitos. Toda tua impulsividade, toda tua violência, sinceridade. Amo cada qualidade, cada perversidade, cada coisa que faz de ti, quem tu és.

Peço perdão pelas coisas que te fiz, peço perdão também pelo que poderia ter sido, pelo que poderia ter feito. Todos os sonhos estão em mim, não tão nítidos, mas aqui ainda vivos. Não sei onde isso irá parar, só peço a Deus que olhe por mim.

As coisas que você me disse estão aqui ecoando, remoendo, revolvendo e doendo.

Monday 6 July 2009

Called me

Hoje quando o telefone tocou fique ansioso, nervoso e atrapalhado. Atendi no susto, com o coração inundado de esperanças, mas o silêncio do outro lado da linda bloqueou-me.

Tanta vontade de falar, muita coisa a ser dita, no entanto o silêncio interminável, cortante e lancinante me corroeu, me revolveu.

Atônito ouvia sua respiração. Assim como ligou, desligou. Calada, silenciosa e misteriosa. Dentro de mim a alma ficou inquieta, gritando, esperneando e me interrogando o porque do silêncio e por que eu não disse o que precisava ser dito? Por que me calei? Por que me ligaste?

Nada tem resposta, nada tem solução.

A tua ligação só me devolveu sorriso ao rosto, mesmo que este seja assim silencioso e disfarçado de espanto.

I miss you.

Sunday 5 July 2009

Word

Lo que importa es la no-ilusion. La mañana nace.


(Frida Khalo)

Saturday 4 July 2009

[In]dependence Day

Houve um tempo em que a distância entre nós era nenhuma. Eram dias e que as palavras não precisavam ser ditas, no silêncio falávamos e nossos olhos compreendiam.

A distância que muito nos separava, também nos aproximava. Em nossos dias estavamos mais juntos que muita gente de mão dada, sabíamos exatamente do que o outro precisava,do que estava sentindo. A sintonia era perfeita, simétrica.

Hoje só sinto saudades. Não sei mais de ti, não sei mais quem tu és. Se me perguntassem se eu conseguiria viver sem ti, diria que não, no entanto a vida prossegue, não intacta, não perfeita, não machucada. A vida sem ti é uma sobrevida. Uma subvida num submundo de um subpaís.

Por muito tempo fomos dependentes, como se um fosse parte do outro. Um membro, um órgão vital. Não passamos agora de dois estranhos.

As mãos se soltaram, os caminhos se desviaram e os corações se distanciaram. Somos agora dois. Cada um de um lado. Lado opostos. Talvez como sempre estivemos... mudou somente o ângulo de visão.


'Procuramos [in]dependência,
acreditamos na distância
entre nós.'