No começo do amor, dois viram um. Tudo é compartilhado, dividido, participado, mas quando acaba o namoro/casamento, quando o relacionamento desce pelo ralo da rotina, escorre entre os dedos do ciúme, passa pela peneira da infidelidade e o que era um sofre a meiose conjugal voltando a ser dois.
É hora de contar as feridas, esconder as cicatrizes, é hora de juntar os cacos e esquecer de todos os momentos, felizes ou não- pelo menos enquanto a dor não cessa. Começa então a hora da partilha, a hora em todos pegam seus pertences, nada escapa à divisão: fotos, objetos, cartas, e-mails, e tudo o que antes ajudava a contar a história de amor do casal vira objeto de barganha e concessões.
Após discussões e intermináveis negociações, sai cada um para seu lado com os braços abarrotados de pertences e restos do que foi um dia. A partilha no entanto não lhes arranca e nem se devolve o mais importante que são as coisas que se sente, aquelas que não foram compradas e nem criadas pelas mãos de ninguém.
A partilha não devolve corações cheios de amor, planos e sonhos construídos dia após dia com esmero de um artesão habilidoso. Não, a partilha não atinge sentimentos e nem as memórias que se tem de tudo, essa é a parte inerente a qualquer que seja o motivo do rompimento.
O motivo do término tem peso relevante nessas memórias sim, mas apenas enquanto eles continuarem vivos dentro deles, no entanto o mais sábio de todos - o tempo, logo se encarrega de minimizar os efeitos e aquilo que hoje dói, machuca e destrói toda imagem feita, amanhã se tornará menos intensa ate virar uma cicatriz - claro que nada é esquecido, mas não derá com tanta intensidade, mas sem a dor intensa apertando, os bons momentos virarão lembranças, doces recordações de como foram felizes um dia.
A partilha é a solução prática sobre o que é externo, enquanto isso, dentro de nós tudo continua arrumadinho do jeito que deixamos, é dentro da gente que tudo permanece indivisível e pulsando como sempre. É quando nada separa porque não foram feitos pela mão de homem, é quando nada separa.
04/02/09
Tuesday 15 September 2009
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