Abriu os olhos num sobressalto, sentia que alguma coisa iria acontecer naquele dia. Qualquer coisa.
O dia passou e seu coração num tique taque desenfreado chegava doer quando alguma coisa parecia estar prestes a acontecer. Mas o que iria acontecer? Era o que se perguntava, porém à medida que o dia ia avançando nas horas, não encontrava nenhuma resposta para tanta expectativa. Sentia, de alguma forma estranha que aquele dia era especial, diferente e que de fato, iria acontecer alguma coisa absurdamente boa.
As primeiras estrelas começavam a pontilhar o céu e aquela sensação persistia. Já estava perdendo as esperanças de que algo iria lhe acontecer. Durante todo o dia fizera plantão ao lado do telefone, de meia em meia hora checava todos os seus e-mails, olhava a caixa do correio regularmente.
Cansado de esperar por alguma coisa que ele só sentia que iria acontecer, mas que não tinha - até então - mostrado indícios positivos. Arrumou -se como todo dia e saiu. As batidas do coração aumentavam, a ansiedade invadia ainda mais. Olhava para todos os rostos, buscava uma explicação em cada coisa que via, em cada sorriso.
O coração, como se fosse um radar aumentava ou diminuia sua frequência, como naquelas brincadeiras de quente e frio. Em alguns momentos, aquela bomba relógio parecia explodir, saltar-lhe do peito e sair tiquetaqueando pelas ruas.
Voltou pra casa assim como saiu, nada aconteceu, nenhuma novidade, nenhuma surpresa. O coração continuava lhe dizendo que estava prestes a acontecer alguma coisa. Olhou novamente suas contas de e-mail, na secretária eletrônica nenhum recado, no celular nenhuma chamada.
Coração burro como sempre, emite sinais errados, escuta o que não deve e para quando é pra correr. Deveria ter se acostumado.